Do rádio de pilha ao celular: memórias de um jovem do interior diante das transformações tecnológicas

Nasci em 30 outubro de 2001, no interior de Alagoas, onde o tempo parecia andar devagar e o mundo cabia dentro da rua de casa. Naquele tempo, tecnologia era a televisão de tubo na sala e o rádio chiando na cozinha, sempre ligado nas notícias e nas músicas que meu pai gostava. Eu cresci vendo o telefone fixo como um objeto quase mágico, daqueles que só tocavam em momentos importantes.

Lembro quando chegou o primeiro celular na família, grande, pesado, quase um tijolo, mas que já parecia coisa de outro mundo. Depois vieram os menores, com joguinhos simples, e eu achava que aquilo era o auge do futuro. Mal sabia eu que o futuro ainda estava só começando.

Com o passar dos anos, vi a internet chegar devagar, primeiro nas lan houses, onde cada minuto era contado como ouro. Era lá que eu descobria um mundo que ia muito além da minha cidade. Hoje, carrego esse mesmo mundo no bolso, num aparelho fino, cheio de possibilidades que eu nem imaginava quando criança.As cartas viraram mensagens instantâneas, as fotos reveladas deram lugar a milhares de imagens digitais, e as conversas na calçada foram, pouco a pouco, migrando para as telas. Às vezes, sinto saudade daquele tempo mais simples, mas também reconheço que nunca estivemos tão conectados.

Se antes eu precisava esperar dias por uma resposta, hoje tudo acontece em segundos. A tecnologia transformou não só as coisas ao meu redor, mas também a forma como eu vejo o mundo e me relaciono com ele.E assim sigo, entre o passado simples e o presente acelerado, tentando não esquecer de onde vim, mesmo enquanto o mundo insiste em mudar cada vez mais rápido diante dos meus olhos.

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